quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sonho Realizado.

Está ai a realização de um sonho...
1ª Casa Própria, um sonho realizado.
O ano era 1988, se minha memória não me solapa. Minha mãe após a separação, ainda detinha uma pequena participação numa empresa da qual meu pai era um dos sócios fundadores. Por esta razão, ela pode, depois de certo tempo, vender esta parte, possibilitando com isto a compra de sua primeira casa própria.
Mal podíamos acreditar. Estávamos agora novamente em uma casa, e agora com um grande diferencial: PRÓPRIA.

Tudo Novo

O dia da mudança foi muito especial, muitas pessoas estavam lá para ajudar, inclusive meu pai, que foi quem conseguiu o caminhão para o transporte.
Não tinha noção de que as poucas coisas que tínhamos, poderia gerar uma quantidade tão grande de trabalho. O dia todo subindo e descendo escadas, trazendo caixas, roupas, e tantos outros objetos.
A chegada à casa nova foi algo indescritível. Espaço, apesar de não ser uma casa enorme, liberdade, sossego, privacidade, tínhamos um quarto para nós, minha mãe ficou com o maior, e ainda sobrou um terceiro que utilizávamos às vezes como sala de TV, em outras oportunidades era oficina de bicicletas, quarto da bagunça, atelier, enfim um lugar muito versátil.
A propósito esta oficina de bicicletas gerou várias confusões, mesmo com tanto espaço lá fora, adquirimos um mal hábito no apartamento, de realizar os reparos nas bicicletas dentro de casa.
Esta casa era forrada com carpete, então é possível imaginar as manchinhas que as peças engraxadas das bikes deixaram por lá. E na tentativa de limpá-las, o resultado era bem pior que o esperado, as manchas ficavam mais claras, mas passavam a ser enormes. 
Foram tantas as mudanças, seguem algumas: minha mãe tinha de atravessar a cidade para trabalhar, passava o dia todo fora, eu e meu irmão passamos a estudar em períodos trocados, nos víamos somente à noite.
Mas ali também, minha mãe começou, ou pelo menos aprimorou algumas técnicas de artesanato, e principalmente na Páscoa, era pura alegria, afinal, eram quilos e mais quilos de chocolate espalhados por toda a cozinha.
Ajudávamos no que sabíamos: ralar as barras, sempre deixando um bom pedaço para comer, mexer o chocolate na panela em banho-maria, alcançar as formas, tirar do congelador, enfim, cada um tinha sua função. A minha ocupação preferida era a de provar, para verificar se o chocolate ficou no ponto, ver se nada durante a produção atrapalhou o sabor. Diga-se de passagem , tanto o sabor, quanto o bom gosto da minha mãe nas embalagens, deixava tudo muito saboroso e bem bonito e chamativo.
Eu e meu irmão apreciávamos o fato de irmos dormir bem tarde, pois, como a Páscoa se aproximava rápido, e o bom era deixar tudo pronto na mesma semana, o negócio era ir até mais tarde para dar conta.
O interesse inicial era o de vender os ovos e bombons para incrementar o orçamento, mas no final, praticamente tudo o que era feito era dado como presente para os familiares. 

As Marcas

Este lugar ficou marcado em nós.
Foi ali que conhecemos o vídeo cassete, algo sem comparação hoje em dia, devido ao valor dele na época. Lembro-me de andar quilômetros para locar fitas numa das maiores locadoras da cidade, por que "lá sim", dizíamos. Foram muitas as sessões de filmes que realizamos, de gêneros variados, com ou sem amigos e vizinhos.
Lembro que começamos um caderno enorme com uma lista de todos os filmes assistidos, no início iam para a lista só os que assistimos em casa, depois entraram na lista os que fomos assistir na casa dos tios, por fim começaram a entrar filmes da TV e cinema. Ai a lista não resistiu, apesar da enorme quantidade de registros, começamos a discutir qual era a intenção primeira dela, e o caderno ficou de lado.
Foi aqui também que meu irmão, numa brincadeira que virou briga, levou um chute na mão, que o deixou com os dedos tortos até hoje. Nunca fomos de brigas, e neste dia estávamos jogando bola na rua e por um motivo estúpido, meu irmão levou o chute de um garoto vizinho nosso. O clima entre nossas famílias ficou péssimo depois disso.
Ali vi o primeiro título do Senna, na verdade não acordei para ver a corrida no Japão, levei a TV pro quarto, só eu conseguia carregar aquele trambolho, mas quando acordei era noite ainda, mas a corrida já havia acabado, assisti ao jogo que deu o título da Alemanha contra a Argentina em 1990, e torci para que isto ocorresse.
Eu já estava com caxumba, mas não sabia e desmontei uma estante enorme quase sem aguentar de dor, pois não sou teimoso.
Jogávamos o saudoso Atari o dia inteiro, já que não dava para ir pra aula. Era uma correria para emprestar as fitas dos colegas. O Megamania (acho que é isto) finalizamos por várias vezes.
Começamos a comprar leite de um senhor que vinha com uma LINDA Kombi amarela entregar na porta de casa. O leite era bom e mais barato, mas a quantidade de gás que passamos a gastar para fervê-lo e os muitos litros que foram derramados penso que não compensaram a troca.
Algumas coisas são praticamente impossíveis esquecer, uma delas é que minha mãe reparou que durante o horário de verão, este senhor aparecia uma hora mais cedo do que o costume, disse ela: "as vacas não sabem da mudança".
O inverno de 1990 foi terrivelmente frio. Num dia normal de aula, no intervalo, começou a nevar, e ai a todos os alunos começaram a pedir que fossemos dispensados para ir para casa. Ai foi só festa. Eu e meu irmão corremos para casa. Não foi o suficiente para fazer um boneco de neve, mas deixou o telhado da casa e os gramados bem brancos.
Foi a última vez que vi neve em Caxias. No ano seguinte já morávamos em Florianópolis.
 Para concluir, penso que foi possível mostrar este cenário, vivemos ali até o final de 1990. Vou relatar isto detalhadamente num próximo post.

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