terça-feira, 3 de julho de 2012

Contexto Familiar. Nascimento e Primeira Infância.



Darei início contando um pouco do ambiente familiar, social e cultural em que nasci, para que consigamos nos situar, e começar a entender as situações que me fizeram a pessoa que sou hoje.
Céu
Mesmo sem vermos a frente, é preciso avançar.


O Nascimento
O ano era o de 1977, na cidade de Caxias do Sul RS, uma terra fria, próspera na serra gaúcha. Tive o privilégio de nascer no verão daquele ano, o que para um bebezinho é uma grande benção.

A estrutura familiar era a das mais conservadoras possível, de origem italiana, como a maioria dos habitantes da região.

Apareci em meio a uma difícil situação na qual meus pais se encontravam.
Seis anos antes, haviam perdido a primeira filha, ainda hoje não sei ao certo o nome dela, e na verdade não procurei saber, devido ao sofrimento que essa lembrança traria a minha mãe, hoje falecida (falaremos mais sobre isso).

Meu avô materno, Emilio, um homem admirável (que também merecerá um capítulo inteiro), não foi a favor do casamento de minha mãe, talvez ela não fosse tão conservadora assim, e pelo que pude entender nas conversas de família, acabou casando por estar grávida. Também não é um fato pelo qual perguntei muito durante os anos.

Minha avó materna Assunta, mulher de fibra e vigor, criou as suas seis filhas com zelo e um talento de quem tem uma fé inabalável em Deus, todas elas sem exceção são honradas mulheres e grandes exemplos.

Pelo lado de meu pai, os avós são Adelar e Lorena, pessoas amáveis e com as quais convivi por muitos anos, sempre com muito carinho por parte de ambos, muitas e muitas traquinagens minhas, foram tolerados por eles, afinal, eu sou o primeiro neto, não sei se tem um nome par isso.

Com minha chegada muita coisa mudou na vida de meus pais.

Alugaram uma “casa” que na verdade era uma divisão de um prédio em que havia salas comerciais (um açougue era na porta ao lado, se minha memória não me solapa), e ali começaram a vida, a duas quadras da casa de meus avós maternos (vou chama-los só de Emilio e Assunta de agora em diante).

Não sei se nasci aqui, ou na casa da qual tenho mais lembrança, mas enfim...
Meu pai formou-se em direito, pela UCS, porém nunca exerceu a profissão, sempre trabalhou na indústria, que é forte em Caxias, e nas empresas da família de meu avô Adelar, que igualmente são fortes (até hoje) em Caxias.

Minha mãe, professora, pós-graduada em artes plásticas, pela UCS (não estou certo disso), sempre batalhou muito (ser professor no Brasil não é fácil), mas com a ajuda de seus pais, as coisas foram indo, e hoje sei de parte do que ela se privou para nos dar um pouco de conforto...

Esse foi o contexto em que apareci nesta vida. Nunca em momento algum olhei para trás e quis ter outra família.

Vem o primeiro irmãozinho

Poucos dias depois de eu ter completado três anos, ganhei o primeiro irmão, digo primeiro, pois, meu pai teve outro no segundo casamento, lembrar-me-ei de detalhar este episódio em outra postagem.

Tive esse irmão como único amigo e companheiro por toda a minha infância, e digo com certeza, não poderia ter tido melhor.

A minha primeira lembrança é de ouvir o meu irmão na barriga da minha mãe, se mexendo e aquele barulhão da água se movimentando. Eu certamente conversava com ele através da barriga, mas não me lembro disso, do barulho que ele fazia esse sim, é tão nítido hoje como foi no dia em que ele nasceu.

Dividíamos tudo. Eu tinha ciúmes das “minhas coisas” e após alguns anos, brigávamos muito. Mas tenho uma certeza, nunca bati no meu irmão, pois na verdade sabia que depois, era só eu e ele para brincar.

Alguns anos depois, nos mudamos para a casa onde passamos alguns dos melhores momentos, digo entre eu e o meu irmão, pois era uma casa com um terreno grande onde jogávamos bola, andávamos de bicicleta (as primeiras que ganhamos no Natal), carrinho de rolimã, tudo que as crianças aprontam. Sempre nós dois.

Meu irmão, num dia das crianças pediu uma gaitinha de presente e eu um quadro negro. Na gaita ele não aprendeu nada, pois alguns dias depois passou um serrote de brinquedo no fole para “ver por dentro”, era o que mais gostava de fazer, mas no quadro negro, ai sim, ele como sempre foi inteligente e astuto, aprendeu a ler com cinco anos, com aulas ministradas pelo professor Mateus que vos fala.

Quando ele leu a lista do material escolar pro meu pai, pense a choradeira.

Enfim, a parte boa da nossa infância foi essa.
Deus os abençoe.+Mateus Emilio Mazzochi  

5 comentários:

Anônimo disse...

É isso ai Mateus

Anônimo disse...

Estou comovida e emocionada com sua iniciativa de escrever sobre você.
Bom eu sou uma pessoa suspeita em falar pois sou sua fã número 1, estou lhe desejando muito sucesso e que Deus continue lhe abençoando cada dia mais.
Sei que vamos aprender muito com suas sábias palavras.
Te amo muito de sua eterna namorada e esposa Adriana de Jesus Fernandes Mazzochi

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Obrigado meu amor. Você sempre foi minha incentivadora. Te amo muito, minha eterna namorada. Deus te abençoe.

Anônimo disse...

Lendo novamente, eu ri sozinho com a parte da serra no fole da gaita. Me lembro bem disso, e também de ouvir discos num fone de ouvido em volume muito alto, além do porre.... esse deixa. Era bem assim mesmo, estou vivendo tudo de novo e é muito bom. Abraços, Bruno César Mazzochi, teu irmão.

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Poi é Bruno, para mim está sendo um desafio tentar lembrar e depois transcrever tantas memórias. Enfim, tenho certeza que tudo o que vivemos até aqui valeu a pena. Mesmo que eu escrevesse muitos blogs iguais a este, não conseguiria registrar cada um dos muitos bons momentos que vivemos. Que bom que estás gostando. Um grande abraço, do teu irmão.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...