segunda-feira, 16 de julho de 2012

Chegando em Floripa.

Ficheiro:Ponte Hercílio Luz Florianopolis-edit.jpg 
A chegada a Florianópolis, não poderia ter sido melhor. Já havíamos visitado a cidade, nos períodos de férias passando alguns ótimos dias por lá. 
Minha mãe, no segundo semestre do ano de 1990, já havia sido chamada para trabalhar como professora de artes pelo estado de Santa Catarina. Lembram-se daquela vizinha da qual comentei? Pois bem, ela foi a ponte, o elo para que minha mãe então prestasse o concurso para trabalhar em SC. 
Após minha mãe ter feito o concurso, não lembro em que data e muito menos as circunstâncias, e ter sido aprovada, ela então se mudou para um quarto na casa desta amiga. Diga-se de passagem, não foi nada agradável este período, ela reclamava muito que neste quarto não havia janelas e era bem apertado além de ser no meio de uma casa ocupada por muitas pessoas. Minha mãe sempre foi uma pessoa muito discreta, e esta falta de privacidade não lhe agradava.

Explicando o inexplicável

Qual o motivo de minha mãe querer mudar-se para tão longe? 
Não sei responder.
Os comentários a este respeito que ouvimos de minha mãe foram a respeito do clima. Caxias é uma cidade próspera, muito grande e um lugar de muitas oportunidades, mas para minha mãe o frio intenso, os quase seis meses de inverno, sempre foram motivos de queixas. Este cenário londrino, cerração  e garoa interminável, dizia ela, era depressivo.
O principal, a meu ver, na verdade era a grande vontade de proporcionar-nos uma vida totalmente nova, novos ares e amizades, e uma distância razoável com os parentes, gerando saudades e motivos para visitas. Além de num lugar onde ninguém nos conhecia, não seria necessário darmos grandes explicações sobre nossa vida.

        Compra do Apartamento

Cansada da situação em que se encontrava minha mãe não ficou chorando pelos cantos. Foi atrás de um apartamento. Nisso eu tiro o chapéu para ela. Não somente nisto. 
Mas vamos aos fatos.

Uma mulher, separada, numa terra totalmente diferente da sua, com dois filhos, longe da família, que largou o certo, ou seja, dois empregos estáveis, por algo novo e incerto, com novo período de estágio probatório, sem conseguir averbar de imediato o tempo de serviço que já havia conquistado, agora anda, e como anda, caminha quilômetros, para comprar um apartamento. Detalhe, comprar um apartamento sem dinheiro, pois a única coisa que possuía até então, era a casa em Caxias que estava parcialmente ocupada. Falo assim, pois eu e meu irmão agora estávamos morando com o pai, e íamos até a casa raramente para ver como estavam as coisas.
Aqui entra a providência Divina. Mesmo minha mãe não tendo compreendido isto, e eu só compreendo agora.
Seguindo indicações, indo a imobiliárias, vendo, analisando, procurando, num certo dia ela entra num apartamento no bairro Kobrasol, em São José SC, e a sua atenção ficou no fato de o sol entrar pela janela da sala, e iluminar todo o apartamento. Pela manhã os dois quartos eram agraciados com a luz do sol.
A sua decisão foi baseada num critério muito técnico: a luz do sol. 
E agora, como comprar? 
Para resumir, não sei bem ao certo, só posso dizer que a compra do apartamento foi feita baseada na venda da casa. Para completar o milagre, o cheque do comprador da casa voltou sem fundos na data prometida, mas um vizinho, daqueles de quem você nem sabe o nome, entrou em contato com um tio meu, irmão de meu pai, resolvendo a situação, assumindo o pagamento do cheque. Como não posso afirmar nada, minha memória falha a respeito deste evento, agradeço pela vida destas pessoas. 
Só tenho que tributar a Deus minha gratidão. 

        Vinculo sem vínculo

Ouvi meu pai citar a frase acima algumas vezes. No final de 1990 minha mãe então acerta os detalhes para que meu pai resolva as questões de nossa mudança para Floripa. Nossa mudança incluía meu pai, daí o fato dele citar esta frase por tantas vezes.
Nós passamos a morar com meu pai, num apartamento do outro lado da cidade, após minha mãe ter ido a Floripa. Muitas coisas aconteceram neste período, quem poderia falar sobre isto é meu pai, mas ao chegar o final do ano, então nos mudamos para Floripa.
A mudança, o que restou dos móveis e nossas roupas, foram de caminhão na frente. Eu, meu irmão e meu pai, seguimos de carro pouco depois.
Quando chegamos o caminhão estava começando a ser descarregado, ai depois de uma rápida olhada para conhecermos o apartamento, começamos a ajudar. Era um sobe e desce escadas sem fim. Bom que subíamos somente dois andares. 
Ainda hoje sinto o cheiro daquele primeiro dia. Diziam que era devido o metanol misturado na gasolina de Santa Catarina, mas para mim era algo muito bom, bem mais nobre do que isto. O dia estava lindo, típico dia de verão em Floripa, com calor e brisa refrescante, vinda do mar.
Ai começou o dilema, como arrumar praticamente duas mudanças num apartamento da metade do tamanho da casa onde estávamos. Sim duas mudanças, pois meu pai também encaixotou todas as suas coisas e veio junto.
Minha mãe do alto de sua magnificência convidou meu pai para vir junto, sem vínculo de nenhuma espécie, para que ele pudesse ter a oportunidade de estar próximo de nós. Pensou ela que assim meu pai começaria ele também uma nova vida, visto que a empresa na qual ele trabalhava sendo também sócio, estava no momento passando por dificuldades financeiras.
O sem vínculo é pelo fato de que ele poderia então morar conosco por um tempo até achar sua recolocação. Não foi o que aconteceu. Ele infelizmente não achou o seu lugar por lá, e acabou voltando para Caxias.
Qualquer outra possibilidade de reatarem o casamento poderia ter tido êxito? Não sei responder. 
Neste período, meu pai se desfez de muitas coisas, ficando praticamente somente com suas roupas. O dia em que ele voltou, o Opala que ele tinha na época, voltou "socado" com suas coisas. Isto foi muito mais difícil para ele do que para nós, pois nem vimos direito ele saindo.
Enfim, foi assim nosso início em Floripa, vou trazer detalhes deste mesmo período, logo após a volta de meu pai, na próxima postagem, até lá.
Você pode gostar também: Vô Emilio,

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